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Terça-feira, Junho 30, 2009 |
Ele me olha e diz "Fique por mais uma semana, pequena", ela logo repreende. "Ela não pode ficar, fez uma vida lá, e agora é isso o que teremos. Um fim de semana de tempos em tempos, quando ela quiser, ou quando achar necessário".
Mas, ela acha que necessário sempre é, o problema é o tempo. Ou a falta de tempo. Nunca a falta de vontade. Nunca a falta de saudade. É só o tempo.
Por ela, ficaria dias. Semanas. Um mês. Um mês inteiro acompanhada do marasmo daquela cidadezinha. Marasmo, balas de côco e o ruivo, sem esquecer da comida da mamãe. Assim estaria bom. Estaria bom se não fossem os afazeres, os deveres, as obrigações que ela mesma se fez ter. Não quis voltar de vez, agora não pode mais voltar.
E depois do "Fique por mais uma semana", ela desmonta. Sente um vazio e uma sensação de dever não cumprido, de desapontamento que ela sabe que não existe da parte deles, mas ela sente e não consegue evitar.
Qual foi o retorno dado? Até agora, nenhum. Quais são os benefícios dessa vida? Será que há algum?
(Não vou terminar esse texto)
Tudovermelhodenovo
É.
Tá tudo diferente. Mas creio que não dá pra ter tudo igual pra sempre. A casa muda, as pessoas mudam, o amor muda. Ou melhor, o amor não muda, mas as situações á ele expostas sim.
A casa é melhor, as pessoas são melhores, o amor é o mesmo. Mas eu precisava me desencontrar dele pra poder me encontrar. Não do amor, dele.
As músicas são as mesmas, porém, em paredes novas, têm outro sentido. São ouvidas de maneira diferente, vai ver porque os ouvidos estão diferentes. E o lugar até onde a música chega também. As paredes são diferentes, brancas, grandes. Maiores. Melhores. Pra abrigar uma outra vida, não sei se melhor, não sei de nada. É diferente. Porque tá tudo diferente.
Mas, o estar diferente não é estar pior. Nem melhor. A não ser pelas paredes brancas, que estão melhores. Sem manchas. Sem acidentes. São apenas paredes. Brancas, precisando de uma cor. Talvez um vermelho terra, não sei.
Vai ver, de repente, que se elas receberem essa cor, tudo muda novamente. E fica um outro diferente, mais parecido com o igual de antes, porém, diferente. Ou não, ou as paredes vermelho terra servirão de moradia pra uma nova fase. Uma nova vida? Aí já é demais. Uma vida modificada. Diferente, ao menos.
Valendo um milhão de dólares, a palavra do momento é... Diferente. Porque tá tudo, realmente, diferente. Segura!
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Quinta-feira, Março 05, 2009 |
Ótimo. Escreví montes sobre minha irritação com esse calor, esquecí de salvar e a sessão expirou. Mais um detalhezinho pra me deixar p. da vida.
A única coisa que me deixa ter um sorriso na cara ainda é o fato de hoje estar completando 3 anos de namoro. Parabéns pra nós.
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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009 |
Quinta feira é minha colação de grau. Depois disso, eu seria estatística, estaria naquela dos desempregados pós faculdade. Mas ainda bem que não.
Segunda semana do ano.
Mais intensa do que muitos meses que já tive. Pelo menos durante esses quatro anos supostamente intensos de faculdade.
Lá era assim: freqüentar aulas, prestar o mínimo de atenção pra precisar estudar o mínimo possível pra prova. No penúltimo semestre, aulas, provas mais TGI. No último semestre, aulas, provas, TGI e trabalho. Ainda assim, nada comparado com o que aconteceu nessa semana.
"Precisamos mudar de casa", ela disse. Ok, precisamos. E, quem procurará por outra? Eu. Voltaria pro trabalho, mas ainda sobraria um tempo pra procurar. Segunda feira só cheguei e saí do trabalho, não tinha aluno suficiente pra que eu ficasse lá. Jóia.
Na terça, ligação da amiga com proposta, e ainda bem que foi mais rápido do que eu pensei. Na quinta, a ligação da chefe dela. Na sexta, pseudo-entrevista, porque foi tudo tão rápido que eu nem me senti como se estivesse realmente numa entrevista. Isso é bom.
Estávamos de olho em um apartamento que a dona veio a ser uma louca, portanto, desolhamos ele. Imagina o quanto a mulher não iria nos atormentar. Já desacreditada com a procura, resolvi olhar um que apenas tinha passado em frente. E não é que era o apartamento dos sonhos? Bingo. Provavelmente teremos uma casa nova. E agora sim vai dar pra chamar de casa, pois tem parâmetros de casa, jeitinho de casa e, se tudo der certo, conforto de casa.
Então, basicamente em uma semana, aconteceu o que eu vinnha querendo em seis meses: achei um apartamento. E o que eu não queria, aconteceu e já foi solucionado. Perdí um emprego e consegui um melhor.
Segunda eu tava com a sensação de que o ano ia ser uma porcaria. Hoje, eu já acho, e espero, que vai ser... jóia.
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Quarta-feira, Novembro 26, 2008 |
Acabou.
Depois de um ano batendo na mesma tecla, e batendo inúmeras vezes nas mesmas teclas do mesmo computador, acabou. E eu não sei se é uma sensação de alívio, primeiro que ainda não acabou por completo, falta apresentar. Falta defender meu ponto de vista pra uma banca. Falta ter o “sim” das pessoas que não viram pelo que eu passei durante esse ano, e que provavelmente vão ficar me olhando com cara de “o que?”, mas eu não ligo. Eu estou feliz que consegui abordar um tema que eu gosto, com um objeto de estudo que eu adoro, e ter uma orientadora tão atenciosa e prestativa. Porque se não fosse por ela, eu não teria me descoberto. Eu não teria me achado naquele tema, naquele trabalho, por mais que eu gostasse do que eu estava fazendo. Se não fosse por ela, eu não saberia quais teorias usar, quais estudiosos abordar, qual caminho seguir. E também se não fosse pela quantidade de shows que eu freqüentei, pela quantidade de músicas que eu cantei e a quantidade de pulos que eu dei, eu estaria aqui, mas não estaria tão feliz e tão sossegada. Fiquei tensa, confesso, mal dormi um dia antes. Mas também passou, e tudo deu certo. E a orientadora esperou o último dia pra falar que o trabalho estava ótimo, que ela acreditava na gente. Esperou pra gente não se iludir e achar que já tava tudo ok. Mas o que ela disse vai ficar martelando na minha cabeça: “Meninas, vocês conseguiram!”. Eu consegui. Depois de um ano achando que eu não ia, eu consegui. E a banca agora passou a ser só um detalhe passageiro, que vem e depois de 20 minutos pra mim e 30 pra eles, vai embora. E tudo fica do mesmo jeito, só que eu fico com um diploma na mão, muita história pra contar e um friozinho na barriga por estar entrando em um mundo até então desconhecido.
Mas, vamos lá.
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Segunda-feira, Novembro 03, 2008 |
Tudo está certo. Estou, finalmente, terminando a faculdade e terminar-la-ei com uma tese que, segundo a orientadora, está melhor do que ela esperava. Vou aos shows, ou pelo menos na maioria, que eu quero, e me divirto neles. Geralmente estou junto de pessoas que me agradam, que me fazem feliz. Meu namorado é uma das pessoas mais importantes na minha vida. Minha família é ótima e, embora eu não os veja tanto, sei que me querem bem, e vice versa. Minha casa é uma bagunça e eu quero mudar daqui logo, mas mesmo assim eu adoro, não o prédio, mas a vista que ele me proporciona, e a rua em que moro. Estou perto de tudo e de todos os lugares que eu preciso ir, como a faculdade e o trabalho. E os que eu não preciso, mas gosto, como um café, tipo a Starbucks. Ou então, quando é madrugada, tem o Fran’z, que é 24 horas. Está tudo na mão. Está tudo aparentemente normal, tudo igual como sempre esteve, ou pelo menos como esteve enquanto eu estava bem comigo mesma.
Então, por quê parece que está tudo uma bagunça?
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Sexta-feira, Outubro 31, 2008 |
Duas amigas estão descendo uma rua qualquer, quando uma vira pra outra e fala:
-Não sei mais quem eu sou!
A outra olha com um ar meio desinteressado e responde:
-Claro que sabe. A gente sempre é a gente, e pronto.
A duvidosa ficou quieta, e percebeu que não poderia indagar certos tipos de coisas com essa amiga dela.
Tentou outra, depois mais outra, depois outro. E ninguém parecia entender, como assim não sabe quem você é? Isso não existe, você sempre foi e será você.
Num belo dia, ela estava sentada na biblioteca da faculdade, quando uma pessoa xis sentou-se ao seu lado. Vendo que ele não trazia nenhum livro consigo, a pessoa chemou-lhe a atenção. Voltando para seu livro que ela sim estava lendo, sentiu uma insistente pressão sobre seu ombro esquerdo:
-Olá, posso te dizer uma coisa?
Ela, sem entender nada, olhou para o rapaz e, não querendo parecer mal educada, disse:
-Ué, pode. (...)
-Eu não sei mais quem eu sou.
(...)
Ela olhou em seus olhos e apenas sorriu. Ela não podia dizer que ele tinha que saber quem ele era, ela também não acreditava nisso, por mais que ela tenha ouvido essa mesma história inúmeras vezes.
Ele a olhou e sorriu de volta, despretenciosamente.
-Vamos tomar um café? ele disse.
E ela aceitou sacudindo a cabeça, e eles foram, em silêncio. Sem de fato saber direito quem eles são. Mas também com a impressão de que logo essa pergunta sairia de suas cabeças.
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Quarta-feira, Setembro 24, 2008 |
No meu ouvido ela diz que ainda é noite clara aqui, e o sol queima minha cabeça. Vou andando, depois de já ter esperado pelo elevador tempo suficiente para escrever uma canção. Vou ao meio da avenida, dói o sinal. Pessoas me levam. Eu deixo me levar. Hoje eu já não me preocupo. Hoje o dia já começou estranho. Pra terminar pior? Chego lá. Uma aula. Outra aula? Eles não vêm. Nenhum dele vem. Estou presa, cumpro horário, fico aqui. Escorrego pelos minutos. Me arrasto. Vou tentando chegar ao final. Cheguei. Saio e agora ela me diz que razão ela não vende por nada. “Ta certo”, eu penso. Aquela voz linda entrando em meus ouvidos. E vou caminhando. Tchau pro cônsul, ele fica mais quatro e está matando um cigarro ali na porta. Caminhada. Agora mais vazia. Só eu, ela no meu ouvido e ninguém. Me levanto. Vou sozinha. Subo os degraus sozinha, eu consigo. A vontade é de voltar pra ontem. Mudar. Fazer diferente ao final da noite. Dormir? Também não. Ainda faltam três horas. Tenho que escrever à mão o que de máquina não aceitaram. Minhas mãos vão, a cabeça não. E ela já não me diz mais nada depois do cigarro, do câmbio e da tempestade. Me faz falta a voz dela. Me faz falta vê-la junto com os outros. E lá estou eu. Agora só falta uma hora pra sair de novo. Eu não quero sair. Não quero mais sair. Mas saio. Estou indo de novo. Pra outro lugar agora. Vou com ele me dizendo que ela o chama ao canto as três da manhã. Será mesmo que é importante? De qualquer maneira, a música atrapalha o que ele quer ouvir, mas pra mim funciona. Eu já preciso. Preciso deles. De novo, preciso vê-los. É isso que falta. É isso que me faz me arrastar. A falta. O cold-turkey de vê-los ao vivo. A abstinência. Basta um oi pra amenizar. Basta uma música. Basta ouvir aquela voz dela. Ao vivo. Eles. Nós. Lá. Quando?Logo? Espero. E eu, agora, aqui. De novo. Sem ninguém, de novo. As pessoas fogem. I don’t want to speak English, eles não dizem. Mas eu estava lá pra ensinar. Enfim, chega alguém. O último do meu dia, pra voltar amanhã cedo de novo, excepcionalmente. Não é meu dia, mas tudo bem. Muitas pessoas. Me levando. E eu, de novo, me deixando levar. Com ela no meu ouvido falando música em gotas para eu relaxar. Relaxar e esquecer. De tudo. Até chegar aqui. E começar tudo de novo.
O sol se põe lindamente. Nasce lindo também, mas dificilmente é notado, pois os olhos da cidade estão fechados. À tarde é mais visível à todos. Pessoas voltando do trabalho, indo levar os cachorros pra passear ou apenas caminhando, andando pela cidade para ver as vitrines ou para checar o que está passando no cinema. Sempre a mesma coisa, no único cinema da cidade.
O cinema é enorme. Capacidade para duas mil pessoas, no mínimo. A acústica é fraca, com aquelas caixas de som revestidas ainda de madeira. A tela gigantesca, e o trailler nunca está no mesmo rumo que o filme, tendo o homem que opera a máquina, ainda de rolo, nada digital, que desentortar o filme quando ele começa.
Lá, sempre duas sessões. Com matinês, dependendo do filme, aos domingos, às 16. Hoje, O incrível Hulk. O cartaz do Sex and the City está lá, escondido atrás do caixa, sem previsão de ser exibido. Há muitos filmes mais “importantes” para uma cidade tão pequena. Com apenas um cinema. E duas sessões diárias, do mesmo filme. Às vezes filmes diferentes, mas o Hulk, na opinião dos donos de lá, merece duas sessões inteirinhas, só pra ele.
Se o filme em cartaz no cinema não agrada, há a locadora. A maior da cidade, não a única. Locadoras não faltam, há uma em cada esquina e praticamente, uma por dia é aberta. E uma é fechada. Mas essa locadora é a melhor. Com lançamentos a três reais, e alugando cinco, ganha mais um, que não é lançamento. Mas aquele lugar é tão grande, que tem sempre algo bom que é encontrado atrás de algum chick flick. Puseram na prateleira errada. Há a sessão de filmes brasileiros, que não deixa a desejar. Não tem todos os filmes lançados no Brasil desde sempre, mas tem muita coisa boa. Se o Hulk não serve, há sempre algo naquela prateleira que vai servir. Perfeitamente.
Se ver filme dá vontade de tomar café, padarias não faltam. Mas aquela padaria da avenida que as pessoas caminhas é sempre a melhor pedida. Lá o capuccino é barato, e há café da tarde por quilo. Lanches, salgadinhos, muffins. Muffin fofinho com gotas de chocolate. E, se a opção é gelada, frozen coffee. Com uma pitada de conhaque, ou algo alcoólico que deixa o gelado todo especial no inverno. Mesinhas do lado de fora, pra quem quer ver o movimento. E do lado de dentro pra quem quer tranqüilidade. Ou está com frio.
Hoje talvez o sol seja notado enquanto nasce por pelo menos quatro olhos atentos. Depois de uma noite divertida e bem passada, duas pessoas vão olhar, juntas, para o céu. E vão vê-lo ascender aos poucos. Com aquela nuance de cores que vai se tornando cada vez menos visível conforme o tempo passa. O nascer e o pôr do sol merecem atenção, dessa vez será o nascer.
E é por isso que a cidade é chamada de São João da Boa Vista.
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Terça-feira, Julho 01, 2008 |
Comigo foi sempre assim: desde que eu me lembro, eu sempre pensei nos outros primeiro. Desde o melhor amigo até o maior desconhecido, que eu apenas troquei poucas palavras. Sempre achei que estava perturbando as pessoas, sempre pedi milhões de desculpas por tudo que eu fazia. Tudo de mais normal. Pedia desculpas até por estar ligando pra uma pessoa às três e meia da tarde, totalmente normal.
Eu entrava em uma loja e morria de vergonha/medo de afrontar um vendedor, ficava preocupada em ser rude, falar algo que a pessoa não gostasse ou qualquer coisa do gênero. Odiava reclamar quando me davam o troco errado ou quando algum pedido meu não vinha certo. Eu era sempre sorrisos com todos, sempre receosa em magoar alguém.
Quando eu combinava com alguém de ir pra algum lugar e eu queria ir pro x e a pessoa pro y, eu sempre cedia e ia pro y. Sempre pelo bem da pessoa. Quando eu ligava pra alguém e esse alguém não estava disponível ou mesmo sem vontade de fazer o que eu propunha, eu entendia. Mas quando era comigo, quando eu não queria sair ou coisa que o valha, sentia um clima e ficava megamal por isso. E acabava fazendo o que a pessoa queria de qualquer maneira.
Sempre fiz isso achando que era sendo simpática que as pessoas seriam comigo. Era ajudando os outros que, quando eu precisasse, seria ajudada. Era indo aos lugares que as pessoas queriam que eu fosse que as pessoas fariam companhia quando eu quisesse sair. Tudo besteira.
O que ocorre na verdade, ou na grande maioria dos casos, é que as pessoas estão sempre preocupadas com os próprios umbigos, se eles estão bem cuidados e bem limpinhos. E só. Se você não faz o que elas querem, você é ruim. Mas se elas não fazem o que você quer, elas têm todo o direito do mundo.
Mas chega uma hora, depois de vergonhosos 21 anos sem perceber isso, que a ficha cai. E eu percebo o nariz vermelho enorme que colocam em mim. Depois de todo esse tempo sendo boazinha, todos se acostumam e... é, se acostumam. É muito fácil ter alguém que faz tudo por você sem você precisar fazer nada por ele. E eu sou esse alguém.
Mas, sabe? Eu cansei.
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Quarta-feira, Junho 04, 2008 |
Recompensa?
Fui lá uma, duas, três, várias vezes. Ela falou, me orientou, puxou minha orelha. Da penúltima vez, eu me senti um grão de bico perto dela, de tão pequena. Mas a penúltima foi a última vez que isso aconteceu. Cheguei lá ontem, não tão confiante, um tanto nervosa pelo acontecido da penúltima. Ela abriu o e-mail, baixou o texto.
Começou a ler. Já fez uma cara de mistério no título, e disse “O título tá bom!”. De certo modo, relaxei. Mas o que é o título perto de 10 páginas? Nada. Esperei. Ela continuou rolando a barra, descendo o arquivo, lendo, fazendo caras, fazendo bocas (ela é cheia de fazer caras e bocas, é sensacional), e eu ali na maior apreensão.
Daí, ela terminou de ler. Olhou pra mim e disse, “Olha, pega mais uma teoria disso e pesquisa mais aquilo que você tem sua tese, mas isso é só pro semestre que vem, seu TGI I tá pronto e tá ótimo, pode imprimir e me entregar. Parabéns!”
UFA! Eu tenho uma tese. Eu tenho uma tese embasada lindamente em fundamentos teóricos. Parabéns pra mim. Preciso comemorar.
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Segunda-feira, Maio 12, 2008 |
Aqui e Lá.
Lá: Me acorda cedo no sábado. Mas consegue fazer com que isso não seja nem metade da pior parte. Faz-me ir pra lá e pra cá atrás de coisas que às vezes nem me interessam. Não acolhe uma pessoa sequer que se importa se eu cheguei e que realmente quer saber como estou. Quando estou lá, é tanta coisa pra fazer de uma vez só que nem sei por onde começar. Não dá mais pra ficar muito. É tudo uma bagunça, e não no sentido material da coisa, mas em um certo sentido mental, não sei dizer.
Lá eu tenho que agüentar atitudes e comportamentos que não mais concordo. São os julgamentos, são as aparências, o status, ser famoso e fazer vista na avenida é importante. E pra quem? Praquelas pessoas tão acéfalas quanto dizem ser poderosas, quanto acham que são melhores que as outras.
Nada bom a ser acrescentado na vida. Por ela, pelas pessoas que nela estão, tirando a família e às vezes nem isso. Dúvidas. Em um momento, você é tudo pra alguém. Depois de uma fração de segundo, nada. Fascinante. Quem sou eu? Ninguém, principalmente quando se trata de falar umas verdades. Quem sou eu pra falar verdades? Ninguém. E, lá, ninguém quer ouvir verdades. Mas, novidade, você também é ninguém, somos iguais. Mas lá é diferente.
Você: Você chega. Chega de braços abertos. Na verdade, eu chego de braços abertos até você. De qualquer maneira, você me recebe como mais uma filha perdida que encontra em você um lugar pra ficar. Mesmo não sendo uma casa, é tão acolhedora. Você não tem hora pra fechar, e não há chuva ou frio que faça afugentar as pessoas de você. E nessas horas, há beleza até no concreto. Nas paredes. Há paz nas buzinas, e eu agradeço por estar ouvindo-as. Irônico, mas é.
E junto com você, vêm as pessoas. Junto com você, São Paulo, vêm todas aquelas pessoas que me fazem bem. Que não julgam, não te cobram uma amizade, não te forçam a ser ou fazer algo que você não é e não quer. Que não enrolam e, se enrolam, pedem desculpas pelo comportamento. Pessoas que as únicas horas de infantilidade são as propícias, como na hora da guerra de travesseiros e das brincadeiras totalmente oportunas, pra divertir.
Aliás, junto dessas pessoas vem a diversão, a compreensão, o carinho. Mas, o melhor de tudo, as conversas sinceras. De novo, nada de julgamentos, conversar e entender vem sempre primeiro. Não importa o que esteja acontecendo.
E é aqui que eu quero estar. É com você e com tudo o que você me trouxe e que me faz sentir bem. Eu até sinto saudades de lá, mas de como lá, em São João, era antes. Agora é você. É aqui. É minha casa. É o agora. É pra sempre.
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Quinta-feira, Abril 17, 2008 |
Ela passa o esmalte. Depois de terminar, ela até acha que o trabalho foi bem feito e ficou orgulhosa de uma coisa tão boba, mas ainda sim importante pra ela. Ela conseguiu passar o esmalte vermelho. E ficou bonito. Será que vermelho era a cor que ela queria?
Ela vai até o espelho. Se olha. Unhas vermelhas. Mas tem algo errado aqui. O que? O cabelo até precisa ser cortado, cresceu. A franja já entra nos olhos, mas ela a joga pro lado e acaba fazendo um estilo. Não é o cabelo. As sardas, então! Elas estão demasiadamente evidentes. Ela não gosta, embora todos encham a paciência dela falando que é legal. É bonito. Ela vai lá e passa base, passa pó, nada de blush. E tudAproveita que já está fazendo isso e faz uma make up completa. Linda. Lápis no olho e tudo. Quer esconder as sardas, mas não dá. Nunca dá e ela insiste. Não deu.
Ainda tem algo errado. Volta pro quarto e abre o guarda-roupa. De repente é isso, uma repaginada no visual que ela precisa. Naquela hora. Pra ela, mesmo. Pra ninguém mais. Hoje é o dia dela se sentir bem. Se sentir bem com ela mesma. E joga todos os seus figurinos em cima da cama. Se troca. Se troca várias vezes até decidir manter um dos visus. E nada.
Vai pros sapatos. Coloca um, tira. Coloca outro, tira. Coloca um de cada par, tira os dois. Resolve colocar aquele novo que nem havia saído da caixa ainda. Vai que de repente chega alguém. De repente alguém a leva pra jantar. Mas, não! Não é esse o propósito. Ela quer se sentir bonita pra ela mesma. É tão simples, tão comum. Tão normal. Às vezes não se precisa de motivos para se fazer bem. Para se olhar no espelho e se sentir bem. Mas, ainda tem algo que ela não está captando.
Ela liga o som. Talvez uma música a ajude a descobrir o que a incomoda tanto! Sai cantarolando pela casa vazia. Pelo menos não está atrapalhando ninguém. Mas, e se tivesse alguém pra cantar com ela? Não. Ninguém conhece essa música, ou pelo menos, quase ninguém. É de uma banda que veio de não sei onde e não é famosa. Menos mal, ela não tem que dividir a banda que ela acabara de descobrir. Com ninguém.
Ela olha em volta e se confirma sozinha. Ela está sozinha. Sem ninguém. E já sabia disso. Mas não sabia que era isso que a incomodava. E ela percebe que de nada valeu o esforço. O que ela queria não era se ver bem. Era estar bem para ouvir alguém dizer “Nossa, como você está linda hoje!”. Então ela limpa o rosto, tira as roupas cuidadosamente escolhidas para estarem vestidas, coloca o pijama e vai dormir.
Sozinha.
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Quarta-feira, Abril 09, 2008 |
Egoísmo
As pessoas podem se cansar de negar, mas todo mundo tem nem que for um pouco de egoísta. Estou aqui agora para assumir o meu egoísmo.
As coisas funcionam assim: quando eu gosto de algo, mas gosto muito mesmo, eu sinto que não devo compartilhar com qualquer um. A pessoa tem que ser muito especial pra ouvir um “Quer ouvir tal banda?” ou “Quer ouvir tal filme?” meu. E, não é que eu me ache a rainha da cocada preta nem nada, mas quando eu gosto de algo, eu gosto de verdade, e esse algo é muito especial pra mim, e isso faz com que eu não queira dividir com qualquer um, ou até com ninguém!
Um exemplo? Ok.
Existe um escritor que eu não vou dizer o nome porque eu não sei quem lerá isso aqui (ó o egoísmo gritando). Pra mim ele é incrível, é um dos melhores escritores da geração 00. Eu compartilho dessa paixão com algumas (poucas) pessoas que eu sei que vão entender seu brilhantismo e, na real, qual é a dele na literatura. Mas tem gente que quer lê-lo, e eu não quero que leiam! Eu sei que desse jeito eu estou impedindo que ele cresça, que fique eventualmente “famoso” dentre as pessoas que conheço e tudo, mas meu egoísmo (e o das pessoas que gostam dele também não é diferente) pula na minha frente antes mesmo de eu tentar convidar alguém pra conhecer o mundo do... enfim, fulano.
Agora estou enfrentando um problema enorme a respeito desse assunto: os meus colegas de faculdade terão que ler um dos meus livros preferidos, pois irá ser o próximo assunto da aula de Literatura Norte Americana. Estou agoniada desde já, porque, convenhamos, na minha classe tem gente que vê a novela e torce pra ter um barraco na Luciana Gimenez e, só. Como é que pessoas assim podem ler o... enfim, livro? Fico indignada com uma coisa dessas.
E é assim com várias coisas, além de literatura. Eu já cheguei ao ponto de tirar um CD que estava tocando do rádio do meu carro porque eu sabia que uma pessoa que eu não queria que ouvisse ia entrar. Porque eu sei que tem gente que diz que não gosta de algo, descobre que eu gosto e, magicamente, começa a gostar também. Acho que é basicamente daí que meu egoísmo nasceu, depois de compartilhar que eu gostava de certas coisas com pessoas que diziam não gostar, e depois de cinco dias, essa pessoa já estar gostando dessas coisas. Complexo? Pode ser. Mas faz todo sentido. E aposto que se você parar pra pensar, vai achar milhões de coisas que você gosta e se enerva só de pensar que algum ser presente na sua vida diz gostar também. É a vida. É inveja, talvez, não sei.
Queria ter sido menos incógnita sobre o assunto, citando exemplos reais, nomes e tudo. Mas eu sou egoísta demais pra citar algum nome que seja muito importante pra mim aqui. Mas, se você quiser saber, pergunte. Se eu não te falar, bom, desculpa, é o egoísmo.