O sol se põe lindamente. Nasce lindo também, mas dificilmente é notado, pois os olhos da cidade estão fechados. À tarde é mais visível à todos. Pessoas voltando do trabalho, indo levar os cachorros pra passear ou apenas caminhando, andando pela cidade para ver as vitrines ou para checar o que está passando no cinema. Sempre a mesma coisa, no único cinema da cidade.
O cinema é enorme. Capacidade para duas mil pessoas, no mínimo. A acústica é fraca, com aquelas caixas de som revestidas ainda de madeira. A tela gigantesca, e o trailler nunca está no mesmo rumo que o filme, tendo o homem que opera a máquina, ainda de rolo, nada digital, que desentortar o filme quando ele começa.
Lá, sempre duas sessões. Com matinês, dependendo do filme, aos domingos, às 16. Hoje, O incrível Hulk. O cartaz do Sex and the City está lá, escondido atrás do caixa, sem previsão de ser exibido. Há muitos filmes mais “importantes” para uma cidade tão pequena. Com apenas um cinema. E duas sessões diárias, do mesmo filme. Às vezes filmes diferentes, mas o Hulk, na opinião dos donos de lá, merece duas sessões inteirinhas, só pra ele.
Se o filme em cartaz no cinema não agrada, há a locadora. A maior da cidade, não a única. Locadoras não faltam, há uma em cada esquina e praticamente, uma por dia é aberta. E uma é fechada. Mas essa locadora é a melhor. Com lançamentos a três reais, e alugando cinco, ganha mais um, que não é lançamento. Mas aquele lugar é tão grande, que tem sempre algo bom que é encontrado atrás de algum chick flick. Puseram na prateleira errada. Há a sessão de filmes brasileiros, que não deixa a desejar. Não tem todos os filmes lançados no Brasil desde sempre, mas tem muita coisa boa. Se o Hulk não serve, há sempre algo naquela prateleira que vai servir. Perfeitamente.
Se ver filme dá vontade de tomar café, padarias não faltam. Mas aquela padaria da avenida que as pessoas caminhas é sempre a melhor pedida. Lá o capuccino é barato, e há café da tarde por quilo. Lanches, salgadinhos, muffins. Muffin fofinho com gotas de chocolate. E, se a opção é gelada, frozen coffee. Com uma pitada de conhaque, ou algo alcoólico que deixa o gelado todo especial no inverno. Mesinhas do lado de fora, pra quem quer ver o movimento. E do lado de dentro pra quem quer tranqüilidade. Ou está com frio.
Hoje talvez o sol seja notado enquanto nasce por pelo menos quatro olhos atentos. Depois de uma noite divertida e bem passada, duas pessoas vão olhar, juntas, para o céu. E vão vê-lo ascender aos poucos. Com aquela nuance de cores que vai se tornando cada vez menos visível conforme o tempo passa. O nascer e o pôr do sol merecem atenção, dessa vez será o nascer.
E é por isso que a cidade é chamada de São João da Boa Vista.
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Terça-feira, Julho 01, 2008 |
Comigo foi sempre assim: desde que eu me lembro, eu sempre pensei nos outros primeiro. Desde o melhor amigo até o maior desconhecido, que eu apenas troquei poucas palavras. Sempre achei que estava perturbando as pessoas, sempre pedi milhões de desculpas por tudo que eu fazia. Tudo de mais normal. Pedia desculpas até por estar ligando pra uma pessoa às três e meia da tarde, totalmente normal.
Eu entrava em uma loja e morria de vergonha/medo de afrontar um vendedor, ficava preocupada em ser rude, falar algo que a pessoa não gostasse ou qualquer coisa do gênero. Odiava reclamar quando me davam o troco errado ou quando algum pedido meu não vinha certo. Eu era sempre sorrisos com todos, sempre receosa em magoar alguém.
Quando eu combinava com alguém de ir pra algum lugar e eu queria ir pro x e a pessoa pro y, eu sempre cedia e ia pro y. Sempre pelo bem da pessoa. Quando eu ligava pra alguém e esse alguém não estava disponível ou mesmo sem vontade de fazer o que eu propunha, eu entendia. Mas quando era comigo, quando eu não queria sair ou coisa que o valha, sentia um clima e ficava megamal por isso. E acabava fazendo o que a pessoa queria de qualquer maneira.
Sempre fiz isso achando que era sendo simpática que as pessoas seriam comigo. Era ajudando os outros que, quando eu precisasse, seria ajudada. Era indo aos lugares que as pessoas queriam que eu fosse que as pessoas fariam companhia quando eu quisesse sair. Tudo besteira.
O que ocorre na verdade, ou na grande maioria dos casos, é que as pessoas estão sempre preocupadas com os próprios umbigos, se eles estão bem cuidados e bem limpinhos. E só. Se você não faz o que elas querem, você é ruim. Mas se elas não fazem o que você quer, elas têm todo o direito do mundo.
Mas chega uma hora, depois de vergonhosos 21 anos sem perceber isso, que a ficha cai. E eu percebo o nariz vermelho enorme que colocam em mim. Depois de todo esse tempo sendo boazinha, todos se acostumam e... é, se acostumam. É muito fácil ter alguém que faz tudo por você sem você precisar fazer nada por ele. E eu sou esse alguém.
Mas, sabe? Eu cansei.
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Quarta-feira, Junho 04, 2008 |
Recompensa?
Fui lá uma, duas, três, várias vezes. Ela falou, me orientou, puxou minha orelha. Da penúltima vez, eu me senti um grão de bico perto dela, de tão pequena. Mas a penúltima foi a última vez que isso aconteceu. Cheguei lá ontem, não tão confiante, um tanto nervosa pelo acontecido da penúltima. Ela abriu o e-mail, baixou o texto.
Começou a ler. Já fez uma cara de mistério no título, e disse “O título tá bom!”. De certo modo, relaxei. Mas o que é o título perto de 10 páginas? Nada. Esperei. Ela continuou rolando a barra, descendo o arquivo, lendo, fazendo caras, fazendo bocas (ela é cheia de fazer caras e bocas, é sensacional), e eu ali na maior apreensão.
Daí, ela terminou de ler. Olhou pra mim e disse, “Olha, pega mais uma teoria disso e pesquisa mais aquilo que você tem sua tese, mas isso é só pro semestre que vem, seu TGI I tá pronto e tá ótimo, pode imprimir e me entregar. Parabéns!”
UFA! Eu tenho uma tese. Eu tenho uma tese embasada lindamente em fundamentos teóricos. Parabéns pra mim. Preciso comemorar.
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Segunda-feira, Maio 12, 2008 |
Aqui e Lá.
Lá: Me acorda cedo no sábado. Mas consegue fazer com que isso não seja nem metade da pior parte. Faz-me ir pra lá e pra cá atrás de coisas que às vezes nem me interessam. Não acolhe uma pessoa sequer que se importa se eu cheguei e que realmente quer saber como estou. Quando estou lá, é tanta coisa pra fazer de uma vez só que nem sei por onde começar. Não dá mais pra ficar muito. É tudo uma bagunça, e não no sentido material da coisa, mas em um certo sentido mental, não sei dizer.
Lá eu tenho que agüentar atitudes e comportamentos que não mais concordo. São os julgamentos, são as aparências, o status, ser famoso e fazer vista na avenida é importante. E pra quem? Praquelas pessoas tão acéfalas quanto dizem ser poderosas, quanto acham que são melhores que as outras.
Nada bom a ser acrescentado na vida. Por ela, pelas pessoas que nela estão, tirando a família e às vezes nem isso. Dúvidas. Em um momento, você é tudo pra alguém. Depois de uma fração de segundo, nada. Fascinante. Quem sou eu? Ninguém, principalmente quando se trata de falar umas verdades. Quem sou eu pra falar verdades? Ninguém. E, lá, ninguém quer ouvir verdades. Mas, novidade, você também é ninguém, somos iguais. Mas lá é diferente.
Você: Você chega. Chega de braços abertos. Na verdade, eu chego de braços abertos até você. De qualquer maneira, você me recebe como mais uma filha perdida que encontra em você um lugar pra ficar. Mesmo não sendo uma casa, é tão acolhedora. Você não tem hora pra fechar, e não há chuva ou frio que faça afugentar as pessoas de você. E nessas horas, há beleza até no concreto. Nas paredes. Há paz nas buzinas, e eu agradeço por estar ouvindo-as. Irônico, mas é.
E junto com você, vêm as pessoas. Junto com você, São Paulo, vêm todas aquelas pessoas que me fazem bem. Que não julgam, não te cobram uma amizade, não te forçam a ser ou fazer algo que você não é e não quer. Que não enrolam e, se enrolam, pedem desculpas pelo comportamento. Pessoas que as únicas horas de infantilidade são as propícias, como na hora da guerra de travesseiros e das brincadeiras totalmente oportunas, pra divertir.
Aliás, junto dessas pessoas vem a diversão, a compreensão, o carinho. Mas, o melhor de tudo, as conversas sinceras. De novo, nada de julgamentos, conversar e entender vem sempre primeiro. Não importa o que esteja acontecendo.
E é aqui que eu quero estar. É com você e com tudo o que você me trouxe e que me faz sentir bem. Eu até sinto saudades de lá, mas de como lá, em São João, era antes. Agora é você. É aqui. É minha casa. É o agora. É pra sempre.
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Quinta-feira, Abril 17, 2008 |
Ela passa o esmalte. Depois de terminar, ela até acha que o trabalho foi bem feito e ficou orgulhosa de uma coisa tão boba, mas ainda sim importante pra ela. Ela conseguiu passar o esmalte vermelho. E ficou bonito. Será que vermelho era a cor que ela queria?
Ela vai até o espelho. Se olha. Unhas vermelhas. Mas tem algo errado aqui. O que? O cabelo até precisa ser cortado, cresceu. A franja já entra nos olhos, mas ela a joga pro lado e acaba fazendo um estilo. Não é o cabelo. As sardas, então! Elas estão demasiadamente evidentes. Ela não gosta, embora todos encham a paciência dela falando que é legal. É bonito. Ela vai lá e passa base, passa pó, nada de blush. E tudAproveita que já está fazendo isso e faz uma make up completa. Linda. Lápis no olho e tudo. Quer esconder as sardas, mas não dá. Nunca dá e ela insiste. Não deu.
Ainda tem algo errado. Volta pro quarto e abre o guarda-roupa. De repente é isso, uma repaginada no visual que ela precisa. Naquela hora. Pra ela, mesmo. Pra ninguém mais. Hoje é o dia dela se sentir bem. Se sentir bem com ela mesma. E joga todos os seus figurinos em cima da cama. Se troca. Se troca várias vezes até decidir manter um dos visus. E nada.
Vai pros sapatos. Coloca um, tira. Coloca outro, tira. Coloca um de cada par, tira os dois. Resolve colocar aquele novo que nem havia saído da caixa ainda. Vai que de repente chega alguém. De repente alguém a leva pra jantar. Mas, não! Não é esse o propósito. Ela quer se sentir bonita pra ela mesma. É tão simples, tão comum. Tão normal. Às vezes não se precisa de motivos para se fazer bem. Para se olhar no espelho e se sentir bem. Mas, ainda tem algo que ela não está captando.
Ela liga o som. Talvez uma música a ajude a descobrir o que a incomoda tanto! Sai cantarolando pela casa vazia. Pelo menos não está atrapalhando ninguém. Mas, e se tivesse alguém pra cantar com ela? Não. Ninguém conhece essa música, ou pelo menos, quase ninguém. É de uma banda que veio de não sei onde e não é famosa. Menos mal, ela não tem que dividir a banda que ela acabara de descobrir. Com ninguém.
Ela olha em volta e se confirma sozinha. Ela está sozinha. Sem ninguém. E já sabia disso. Mas não sabia que era isso que a incomodava. E ela percebe que de nada valeu o esforço. O que ela queria não era se ver bem. Era estar bem para ouvir alguém dizer “Nossa, como você está linda hoje!”. Então ela limpa o rosto, tira as roupas cuidadosamente escolhidas para estarem vestidas, coloca o pijama e vai dormir.
Sozinha.
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Quarta-feira, Abril 09, 2008 |
Egoísmo
As pessoas podem se cansar de negar, mas todo mundo tem nem que for um pouco de egoísta. Estou aqui agora para assumir o meu egoísmo.
As coisas funcionam assim: quando eu gosto de algo, mas gosto muito mesmo, eu sinto que não devo compartilhar com qualquer um. A pessoa tem que ser muito especial pra ouvir um “Quer ouvir tal banda?” ou “Quer ouvir tal filme?” meu. E, não é que eu me ache a rainha da cocada preta nem nada, mas quando eu gosto de algo, eu gosto de verdade, e esse algo é muito especial pra mim, e isso faz com que eu não queira dividir com qualquer um, ou até com ninguém!
Um exemplo? Ok.
Existe um escritor que eu não vou dizer o nome porque eu não sei quem lerá isso aqui (ó o egoísmo gritando). Pra mim ele é incrível, é um dos melhores escritores da geração 00. Eu compartilho dessa paixão com algumas (poucas) pessoas que eu sei que vão entender seu brilhantismo e, na real, qual é a dele na literatura. Mas tem gente que quer lê-lo, e eu não quero que leiam! Eu sei que desse jeito eu estou impedindo que ele cresça, que fique eventualmente “famoso” dentre as pessoas que conheço e tudo, mas meu egoísmo (e o das pessoas que gostam dele também não é diferente) pula na minha frente antes mesmo de eu tentar convidar alguém pra conhecer o mundo do... enfim, fulano.
Agora estou enfrentando um problema enorme a respeito desse assunto: os meus colegas de faculdade terão que ler um dos meus livros preferidos, pois irá ser o próximo assunto da aula de Literatura Norte Americana. Estou agoniada desde já, porque, convenhamos, na minha classe tem gente que vê a novela e torce pra ter um barraco na Luciana Gimenez e, só. Como é que pessoas assim podem ler o... enfim, livro? Fico indignada com uma coisa dessas.
E é assim com várias coisas, além de literatura. Eu já cheguei ao ponto de tirar um CD que estava tocando do rádio do meu carro porque eu sabia que uma pessoa que eu não queria que ouvisse ia entrar. Porque eu sei que tem gente que diz que não gosta de algo, descobre que eu gosto e, magicamente, começa a gostar também. Acho que é basicamente daí que meu egoísmo nasceu, depois de compartilhar que eu gostava de certas coisas com pessoas que diziam não gostar, e depois de cinco dias, essa pessoa já estar gostando dessas coisas. Complexo? Pode ser. Mas faz todo sentido. E aposto que se você parar pra pensar, vai achar milhões de coisas que você gosta e se enerva só de pensar que algum ser presente na sua vida diz gostar também. É a vida. É inveja, talvez, não sei.
Queria ter sido menos incógnita sobre o assunto, citando exemplos reais, nomes e tudo. Mas eu sou egoísta demais pra citar algum nome que seja muito importante pra mim aqui. Mas, se você quiser saber, pergunte. Se eu não te falar, bom, desculpa, é o egoísmo.
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Quarta-feira, Março 26, 2008 |
Não sai de mim, não sai.
Hoje eu acordei sem saber o que vestir. Abri o guarda-roupa e olhei. Olhei e não consegui achar nada que me desse aquela vontade de pegar e usar. Mas pra que? São só roupas mesmo. Pequei uma calça qualquer e uma blusa mais qualquer ainda e fui. Não estava me sentindo bem com aquela roupa. Geralmente eu tenho me esforço um pouco mais nas escolhas. Mas hoje eu não quis.
Fui pra faculdade. Aquela roupa em mim, muito estranho. Agora já não dava mais tempo de voltar pra trocar. Mas sei bem que nem se eu estivesse um milhão de horas adiantada, eu não voltaria. Então, estava eu com aquela roupa. Querendo sair dela. Não podendo.
No meio do período, recebi uma notícia que eu esperava há tempos: o palestrante que eu indiquei irá falar na Aula Magna da faculdade. Ótimo. O sorriso na cara não iria sair tão cedo. Mas, eu ainda estava com aquela maldita roupa!
Segunda aula. Entrega de provas. Nota máxima em Francês. Praticamente um milagre pra quem mal estuda e confessa o desleixo. Sorriso ultrapassa as orelhas, a felicidade de dentro não é mais estampada por fora como deveria. Estava sendo um dia bom. Mas então, o que aquela blusa listrada e aquela calça estavam fazendo lá? Não era roupa de felicidade. Mas enfim, a roupa estava lá.
Chegando em casa, eu não estava sozinha. Namorado lá, com ovos de páscoa pra mim. Mas, ganhar ovos de páscoa com aquele modelito? Não era o que eu estava prevendo. Eu nem queria que meu pobre coitado me visse naqueles trajes. Nem ele, nem ninguém, mas também já era tarde. Todo mundo já tinha visto. Ele já tinha visto. Pouco importa.
Vamos sair? Dá tempo de trocar de roupa? Não. Lá vai o figurino passear pela estrada afora novamente. Ele não queria sair de mim, não queria. Eu fazendo de tudo para tira-lo, e ele lá. Sai! E nada.
Depois de fazermos o que tínhamos que fazer fora de casa, voltamos. Eu tinha prazos. Prazos curtos. Curtíssimos. Pra amanhã. Agora que eu estou em casa, deixa a roupa, vou fazer a obrigação, depois a mudança de visu.
A pesquisa foi feita, o trabalho iniciado, e a roupa lá. Em mim. Agora sim eu me livro, mas não. Tem que imprimir os apanhados. Vai até o quarto vizinho e imprime. Com a roupitcha, ainda.
Depois de tudo feito, tudo pronto, tudo visto, hora de tomar banho. Troquei a maldita roupa. Coloquei um pijama confortável para acariciar meu lindo soninho. Mas... Cadê a roupa? Ela já não está mais em mim e, pensando bem, de repente, se eu não estivesse com ela hoje, nada dos acontecidos teriam acontecido.
Vai saber.
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Quarta-feira, Março 19, 2008 |
Pra dançar créu, tem que ter disposição. Tem que ter... habilidade.
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Quarta-feira, Março 12, 2008 |
Pra sempre.
Ele chega à cidade. Tudo novo, pessoas novas e desconfiadas. Como assim ele se atreve? Como ousa tentar tirar o lugar daquele que já é conceituado? Não era o propósito. Queria se livrar daqueles pensamentos ruins. Queria fazer um favor à aquela que já havia partido, fazer um bem àqueles que ficaram. Mas, por que ninguém entendia? Não era tão difícil imaginar outras respostas para sua aparição. Todavia as pessoas adoravam pensar sempre o pior.
Acontece que ele era forte, e sabia que estava lá para melhorar tudo, e não para estragar o que já havia sido construído ali. Tentou fazer amizades, muitos o acolheram bem, outros estavam sempre com o pé atrás. No fim das contas, era um gostar enrustido, sarcástico, mas ainda sim, era um sentimento de afeto.
Salvou a vida de um garoto e foi o herói da história. Agora tudo era diferente e todos o admiravam. Até quem havia se sentido ameaçado por ele desenvolveu um certo respeito e admiração.
Até que houve complicações e esse garoto não sobreviveu. Ele o matou? Era o que todos pensavam. Mas depois de um tempo, vieram a descobrir que ele não fez mais do que a vontade do paciente, que não queria ser um vegetal. Custaram a entender, mas no fim das contas, viram que era o melhor a ser feito, e foi tudo muito bem pensado.
A história só começa aí, e vai muito mais adiante. Incluindo conflitos de pai e filho, confusões amorosas entre os jovens, muita emoção vindo de todos os lados da história. E agora o melhor é que a história estará, do começo ao fim, guardada eternamente dentro daquelas gavetas alí.
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Terça-feira, Fevereiro 26, 2008 |
O que eu gosto é de ro-sas.
...já dizia Ana Carolina.
Era sábado à noite. Na verdade, era domingo de manhã. Tínhamos acabado de sair de um show magnífico. Andávamos ainda naquela condição ébria do ser humano pós um show ótimo, subindo com toda a força do mundo aquela rua interminável. Quase chegando em casa, um senhor passa com um lindo buquê de rosas. Eu, muito sem noção devido ao teor já citado acima, fiz um comentário que saiu um tanto quanto alto: “Nossa, que flores lindas!”. O moço imediatamente parou, já que obviamente ouviu o que eu disse. Virou-se para mim e estendeu o braço que segurava o buquê. “Pode pegar”, ele disse. Imagina que eu ia aceitar rosas de um completo desconhecido. Um buquê grande, lindo, ainda. Falei “Mas, moço, elas são suas, não posso aceitar”, mas ele disse que uma moça tinha dado pra ele alegando não poder levá-las pra casa. Aí meu cérebro começou a queimar:
1- A moça ganhou flores do amante.
2- A moça ganhou flores da amante.
3- A moça tem alguém alérgico a rosas em casa.
4- A moça tem um animal de estimação comedor de flores.
5- A moça não gosta de flores.
6- A moça é insensível, bate nela.
Aceitei as rosas. Rosas grandes, vermelhas. Cheiro de rosas pela casa. Há tempos não sentia esse cheiro, gosto tanto.
Foi incrivelmente bizarro e, ao mesmo tempo, ótimo. E se eu não tivesse feito o comentário sobre a beleza do buquê? E se eu estivesse sóbria? Creio que não faria tal comentário em tão alto e bom som.
Mas, o que importa é que a casa tem cheirinho de flores. Cheirinho de vida, por mais que elas morram logo. As rosas sempre significam algo, até mesmo quando quem as oferece é uma pessoa totalmente x pra gente.
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Terça-feira, Fevereiro 12, 2008 |
Segunda Feira?
Perdi a hora da aula a tarde.
Hoje a janela está aberta. O calor insuportável que faz nessa cidade não permite que ela fique fechada, nem se chover. As duas torres mais bonitas da cidade estão sendo admiradas por mim nos intervalos entre a digitação do texto, a janelinha piscando no MSN, a olhada nas últimas fotos tiradas e os goles da água que gostaria muito de ser champagne, mas o silêncio é grande para quebrá-lo ao som de uma rolha saltando.
Esses tais primeiros dias da semana chamados de segundas feiras geralmente servem pra todo mundo voltar à ativa. Trabalho, estudos, qualquer coisa do gênero. Hoje o dia é, pra mim, de necessária distração. Ligar a TV, o rádio e o computador ao mesmo tempo pra tentar esquecer. Esquecer da inscrição não feita, do nó gigante que se encontra na minha cabeça. Se não esquecer, pelo menos me auto-enganar de que as coisas estão uma maravilha e eu não tenho prazos nem questões confusas dentro do meu lindo e momentaneamente perturbado cérebro. Mas não dá. Os pensamentos são iguais aos pernilongos em noites de calor, como essa. Enquanto não acontece um inseticida, eles vão ficar lá zunindo pra sempre em sua respectiva orelha. A minha sorte é morar no alto, pelo menos dos reais pernilongos eu me livro.
Agora, meus pernilongos mentais estão foda. Não cabe aqui medir as palavras, portanto, estão foda, Pronto, acabou. Hoje, segunda feira, dia de estar com a mente livre para tudo funcionar direito, estou confusa. Não estou sabendo fazer escolhas, medir palavras, explicar idéias, sentimentos. Nada deve-se resolver de segunda feira, mas é justo nesse dia que minha cobrança para comigo mesma é incrivelmente grande. E eu me dou o direito de me odiar por isso. E de, ainda assim, não chegar a conclusão nenhuma.
Mas, afinal, hoje é segunda feira. Não é dia de resolver nada, de solucionar nada. É pra isso que as sextas existem.
Fim de semana, conclusões.
Ou não.
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Terça-feira, Janeiro 29, 2008 |
Antes.
A angústia de ver o telefone calado, o celular apagado, a campainha intacta. O apertar incessante do botão do controle remoto, e nada para entreter. Todos os CDS ouvidos e re-ouvidos. As MP3 em shuffle já não se suportam mais. As páginas do Explorer já não trazem mais tanta emoção, novidades ou vontade de continuar procurando algo que seja satisfatório. As janelinhas do MSN não pulam com os nomes esperados. Aliás, pulam com nomes que nem deveriam mais estar ali. A caixa de e-mail não se enche com os e-mails desejados. O marasmo predomina, o não é demasiadamente escutado. A paciência já não tarda a se esgotar, e não há porque não deixá-la acabar. Ninguém colabora para que ela permaneça lá. A falta de motivação pra argumentar é maior do que a vontade de convencer qualquer pessoa de que o melhor que se tem a fazer é mudar essa situação que já permanece há algum tempo e, se agrada a uns, definitivamente irrita e enerva a outros.
Durante.
A insistência em mudar. Não mais pensar um milhão de vezes nas pessoas, que nem estão se importando, antes de agir. Tomar chuva com gente que fica cada dia mais importante. Agir. Agir. Agir. Não pensar tanto. Agir. Deixar o “o que dá na telha” predominar. Agir. Pensar menos. Falar mais coisas boas. Eliminar a negatividade. Agir. Não se importar tanto. Não se importar, ponto."Neeeem" ligar. Conversar com quem faz bem. Aprimorar o vocabulário, pegar manias engraçadas. Rir. Fazer abdominais de tanto rir. Rir sem se preocupar com mais nada. Abraçar, apertar, morder. Não se importar. Agir.
Depois.
O telefone toca. Do outro lado da linha, pessoas novas, diferentes. Mas um diferente que fora procurado antes, mas não tão facilmente encontrado. Descobertas são feitas. Alguns desconhecidos se tornam amigos, outros chegam a ser bons amigos. Certas amizades se tornam mais intensas. A agenda começa a ficar cheia, convites surgem e não mais os “nãos” são ouvidos quando uma idéia aparece, ainda bem. O álcool se torna uma constante, e não um problema, ou um absurdo. Champagne em plena terça feira a tarde. Os encontros são divertidos, todos comparecem. Quem não é amigo, se torna. A vida muda. Muda pra melhor. As conversas mudam, os ambientes mudam. Não há mais preocupações exacerbadas sobre fatos que não deveriam ganhar tanto tempo gasto. Tudo se torna mais fácil, pleno e confortável.
Certamente foi por causa da chuva.
Por hoje eu desistí.
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Terça-feira, Janeiro 08, 2008 |
Repetindo, repetindo, repetindo.
Às vezes tudo começa a dar tão certo que mal dá pra acreditar que realmente está acontecendo tudo isso em sua vida. Não digo profissionalmente, financeiramente, nada material. Falo a respeito de sentimentos, de pessoas, daquilo que a gente sente e fica feliz por perceber que sente. Todo mundo já deve ter passado por uma fase na qual não se encontrava no mundo. Não acreditava mais nas amizades que tinha, nem que fosse possível fazer novas que dessem certo. Eu estava nessa fase. Ninguém se parecia mais comigo. Os amigos velhos haviam mudado, e os novos também. Estava em um daqueles becos americanos que os bandidos entram para escapar, mas não conseguem e no final acabam sendo pegos. Eu realmente não sabia o que fazer. Queria conhecer coisas novas, ir a lugares novos, mas ninguém estava disposto ou animado pra me acompanhar.
De repente, as coisas começaram a mudar. Ok, não foi tão repentinamente assim, mas começou a acontecer. Primeiro veio uma pessoa, depois outra, e tudo foi melhorando gradativamente. Além do usual que eu estava acostumada a fazer com essas pessoas, vieram atividades extras. Visitas a outros lugares, reuniões em casa, e tudo o que jovens normais do século XXI fazem. Tudo estava mudando, e pra bem melhor.
Só que vieram as férias pra atrapalhar e eu tive que voltar. Voltar pra minha velha rotina, que hoje em dia eu posso afirmar que não pertence mais a mim. Voltei porque era necessário, porque pessoas esperam que eu volte. Mas voltei sem vontade, pensando nas pessoas que ficaram, e o quanto eu poderia me divertir mais se eu pudesse ficar lá com elas. Mas oportunidades não faltaram, e eu pude voltar pra aquilo que eu realmente estava considerando minha vida. A minha rotina que não é bem na verdade uma rotina, porque sempre acontece algo de novo pra quebrá-la.
E é por isso que tudo tem dado certo. Eu comecei a me importar novamente com pessoas, a querer saber se estão bem e o que acontece na vida delas, se precisam de ajuda e coisas do gênero. Às vezes é aos poucos que acontece, e eu percebi que não adianta se desesperar nem achar que nada dará certo. Se você souber buscar o melhor, ele acaba acontecendo.
E um muito obrigada pra quem está participando de toda essa coisa boa. Vocês sabem quem são.
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Segunda-feira, Janeiro 07, 2008 |
Estou no carro. Indo embora de uma cidade que me acolhe muito bem. Não digo que estou de um todo triste, porque há certas coisas que me deixam um tanto quanto saudosa a respeito da minha cidade que não posso chamar de natal. Não sei intitulá-la, então fica como “a cidade que eu volto de vez em quanto e nas férias”. Gosto de voltar porque lá posso dirigir, posso ficar perambulando a pé de madrugada sem maiores problemas (não que isso não aconteça em São Paulo, mas... É diferente), ver meu primo querido e ruivo, nadar (como se eu fizesse muito disso), enfim, várias coisas. Mas sair de um lugar onde você se habitua imediatamente, logo quando o ônibus entra na cidade, é difícil. Eu fico pensando nos dias ótimos que passei, na virada do ano super diferente, na chuva tomada com pessoas queridas, na comemoração do aniversário de outra pessoa querida, na cantoria do videokê, nas pizzas comidas (como assim não tem brócolis?), no ficar morgando depois de uma noite maravilhosa regada a música dos anos 80 e cerveja, que eu não bebia mas agora descobri o prazer de se pagar menos em álcool. O melhor disso tudo, é que logo mais eu volto. Logo mais tem outro aniversário, outra reunião, outro acontecimento qualquer que eu possa usar de desculpa pra voltar. E, logo mais, acontecerá a volta definitiva e eu mal posso esperar. Tudo bem que essa volta implica em ver pessoas que me desagradam um pouco e começar a estudar feito louca (exagero mentiroso pra sustentar a idéia de nerd), mas há também aquelas que eu não vi durante as férias e que tenho muita vontade de rever! E há aquelas que eu vi e que me fizeram muito feliz, e dessas eu não abro mais mão! A minha vida está seguindo um caminho que está me agradando demais, e espero que esse caminho só cresça e que me leve pro lugar que eu espero chegar (não está longe não!).